A PERFEIÇÃO VEM COM A PRÁTICA

A PERFEIÇÃO VEM COM A PRÁTICA
sylviabulhon@uol.com.br

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NAO JOGUE A CULPA NO OUTRO

Não jogue a culpa no outro

por Angelina Garcia
O terreno limpo, aplainado, e a terra fofa aguardando o plantio trouxeram à Camila uma sensação de bem-estar, como se houvesse se livrado de toda erva daninha; aquelas que insistem em nos incomodar. Agora era só colocar os tufos de grama, regar periodicamente, até ver estendido o tapete verde. Seria feliz para sempre.

"O que foi, ou está posto, não muda simplesmente porque encontramos o seu ponto de origem, que, aliás, pode ser a conjunção de vários fatores; mas podemos, isto sim, alterar a influência que exerce sobre nós, a partir do momento em que passamos a lhe conferir outro valor..." A alegria durou até que folhas estranhas irrompessem daqui e dali. Teria sido o vento, o passarinho xereta, o responsável por transportar as sementes indesejáveis? Talvez já estivessem por lá, sem se dar a conhecer. Pouco importa. Enquanto Camila se preocupava em identificar quem empanava sua felicidade, o mato crescia, cobrindo o gramado. Mesmo que descobrisse, não pararia o tempo, o vento, nem exterminaria a passarada.

Qualquer experiência de vida nos mostra que não há como manter o terreno limpo, imaculado, ainda que estejamos atentos às intromissões, sejam na erupção de raízes profundas, despertadas em retornos a vivências desagradáveis, sejam provocadas por situações pontuais, momentâneas, ou aquelas às quais nos sentimos presos. Não nos é dado o privilégio da plenitude inabalável; cavamos alguns desses momentos no cotidiano, a duras ou leves penas. Seja dentro, fora, alguma coisa está lá prestes a nos perturbar. É uma conjuntura da qual não se pode escapar, mas é possível, sim, amenizar seus efeitos. Cada um a seu modo.

O primeiro passo, me parece, é parar de procurar culpados.

Ninguém nega a importância em se conhecer o que, dentre as condições internas e externas, atrapalha nosso bem-estar; perigoso é ficar mergulhado nelas, utilizando-as, de algum modo, para impedir transformações. Chega o momento em que é necessário deixar de culpar a mãe, o pai e quem mais for, ou as circunstâncias irremediáveis, pelo que deu errado em nossa vida. Continuará dando, se não mudarmos o foco.

O que foi, ou está posto, não muda simplesmente porque encontramos o seu ponto de origem, que, aliás, pode ser a conjunção de vários fatores; mas podemos, isto sim, alterar a influência que exerce sobre nós, a partir do momento em que passamos a lhe conferir outro valor, começando a pensar, por exemplo, no que resultou positivo de uma experiência que naquele instante tenha sido traumática. Há sempre um outro lado da coisa.

Na pressa para encontrarmos um culpado, esquecemo-nos, inclusive, que outra pessoa poderia reagir de modo diferente ao evento, havendo, portanto, sempre muito de nós fazendo as coisas serem como são.

A referência para se iniciar um processo de transformação não diz respeito ao que o outro fez ou faz comigo, mas ao que eu estou fazendo por mim. Enquanto gastamos energia buscando os responsáveis pelos nossos infortúnios, perdemos a oportunidade de reconhecer em nós as possibilidades de saída.

POR QUE O DIFERENTE NOS AMEAÇA TANTO?

por Angelina Garcia
"Considerar diferenças me ajuda a repensar posições, serve como parâmetro para que eu possa reafirmar ou jogar fora valores, convicções. Não há como fazer isso sem incômodo" É comum reconhecermos certo prazer em algumas pessoas ao se referirem a seus pares, seja nas relações afetivas, familiares, profissionais, como “iguaizinhas” a si. Perceber-se semelhante ao outro, conforta, apazigua, evita confronto, conflito. É assim como se o outro nos confirmasse, deixando-nos, portanto, seguros.

O contrário aconteceria frente ao diferente. Entretanto, diferença não significa necessariamente divergência, no sentido de afastamento, desarmonia, se considerarmos a idéia de completude.

Dizer que o outro me completa não diz respeito apenas ao fato de que ele sempre tem a me oferecer alguma coisa que não tenho, mas desejo ter, como conhecimento, percepção, por exemplo. Que aprendemos com o outro, já sabemos. Completar não deve ser entendido só como o acréscimo daquilo que identifico como falta em mim, mas também do que nem sei que me falta porque desconheço. É me despertar tanto para o que ignoro fora, como para o que ainda não percebi em mim. Mas ao mesmo tempo em que admito a necessidade humana dessa completude, esforço-me para controlá-la. Eis aí mais uma de nossas contradições.

Reconhecemos que haja sempre um outro lado servindo como referência; ou seja, uma coisa só é uma coisa na relação com outra que é outra coisa. A questão é o espaço que damos a essa outra coisa. Não se trata de questão moral, do tão propagado respeito à diferença, ou de aceitação do outro. Posso dizer que respeito, que aceito, quando ignoro, faço vista grossa, finjo não me incomodar, mas permaneço cercado pelas “minhas verdades”, como se pudesse, de fato, permanecer afastado; como se de algum modo pudesse me livrar da contradição que me constitui, livrar-me desse diferente, ou mesmo oposto que, em algum lugar, continua fazendo sentido em mim.

Trata-se de perder o medo da instabilidade ao sair da zona de conforto e colocar minhas verdades à prova. Considerar diferenças me ajuda a repensar posições, serve como parâmetro para que eu possa reafirmar ou jogar fora valores, convicções. Não há como fazer isso sem incômodo. É exatamente no incômodo que me obrigo a rever o que acredito ter de tão estável. Muitas vezes é preciso mergulhar no caos, no mal-estar que a diferença me provoca, para que se possam emergir novas idéias, novas sensações que me possibilitem transformações efetivas.

APROVEITANDO A CONVERSA

por Angelina Garcia
Dificuldade em manter diálogo com o outro? Saiba as possíveis razões

Todos reclamavam da dificuldade em manter um diálogo com Anália. Alguns chegavam a se irritar com a moça por não encontrarem espaço de troca, quando não obtinham resposta, ou a participação dela consistia apenas em um sinal afirmativo de cabeça, um sorriso inexpressivo, ou expressões prontas, como as tão desgastadas “com certeza” e “sem dúvida”. O que a impedia de se colocar, frente ao seu interlocutor?

Problemas de cognição estavam descartados, já que na escrita, ou em outras formas de comunicação, ela se saia muito bem. A questão, então, poderia estar relacionada a diversos outros fatores. Um, entre eles, seria a presença do outro exercendo pressão sobre ela. Antecipava uma imagem de si que não gostaria que fosse revelada. Travava-se ao acreditar que poderia parecer ridícula, óbvia, medíocre. Nesse caso, ou se menosprezava, ou não se sentia convicta de suas idéias, portanto, insegura para passá-las adiante.

Outra possibilidade seria que Anália fizesse parte daquele grupo formado pelos “desligados”, gente que presta pouca atenção ao que o outro diz. Acaba juntando pedaços daqui e dali e, quando solicitada, tenta, de maneira monossilábica, não contrariar o falante, evitando ser envolvida, sem querer, na conversa.

Poderia acontecer, também, que ela de fato não se interessasse pelos temas em discussão, ou pelo tipo de abordagem a que eram submetidos. Estaria ali obrigada pelas circunstâncias: por educação, para cumprir compromisso social, ou outros. Ou, ainda, considerava que os participantes da conversa nada tinham a acrescentar ao que ela já sabia.

A preocupação aqui é com o indivíduo muitas vezes sujeito a críticas, por não mostrar desempenho satisfatório no contato oral com o outro, com seus grupos, ou mesmo com um público maior. A questão é pessoal, devendo a cada um avaliar o quanto está sendo prejudicado, ou prejudicando os outros. Quem está de fora não ajuda em nada apontando como defeito o fato de alguém ser mais reservado, preferir mais ouvir que falar, ou mesmo ter mais dificuldade que outros para expor suas idéias. Cada um sabe onde a fivela aperta.

Se no contato direto, embora Anália não conseguisse se expressar a contento, mantivesse ativamente um diálogo interno com seu interlocutor, elaborando e reelaborando pontos de vista, estaria, sim, aproveitando a conversa. O outro poderia reclamar da falta de troca. Mas quem garante que a troca precisa ser imediata? No seu tempo, do seu jeito, ela encontraria canais de comunicação com os quais se sentisse mais à vontade para oferecer ao outro suas descobertas.

Deixemos as Análias serem como são; se se sentirem incomodadas, correrão atrás do prejuízo.

Roberto Shinyashiki - dicas para o desenvolvimento humano

Problemas servem para você aprender a aprender
por Roberto Shinyashiki
Nunca odeie quem lhe traz o problema. Ele é somente o professor. Resolva a dificuldade e agradeça a essa pessoa pela oportunidade de evoluir

Uma das perguntas mais freqüentes que alguém faz a si mesmo é: por que estou enfrentando este problema? Infelizmente, a maioria das pessoas encontra a resposta do modo errado: culpando o outro. A culpa é do chefe, do companheiro, dos pais, do empregado.

Mas o outro nunca é a razão de seus problemas. Se você não aprender com a dificuldade, vai repeti-la ao infinito. Vai trocar de emprego, de companheiro, de empregados, mas, quando perceber, trocou as pessoas e o problema continua o mesmo, e se repete.

Os problemas são oportunidades de aprendizado e, quando perdemos essa lição, toda dor que sentimos se torna inútil. Lembre-se: para todo problema existe solução. Aliás, essa é uma boa definição: problema é um acontecimento que vem sempre acompanhado de solução. Quando você não tiver uma solução, será necessário definir qual é o problema.

"Problema é um acontecimento que vem sempre acompanhado de solução. Quando você não tiver uma solução, será necessário definir qual é o problema" Por exemplo: você descobre que não tem dinheiro para pagar as contas. Está bem, não ter dinheiro é um problema, principalmente se os credores estão lhe cobrando e os juros aumentando. A solução provavelmente se inicia com o corte de gastos, continua com uma negociação com os credores e alguma ação para ganhar mais dinheiro. No final, extraiu-se um aprendizado de uma situação que parecia ter apenas um lado negativo.

Perceba tudo o que você pode aprender em uma situação assim:

- Aprender a gastar de acordo com seus rendimentos;

- Aprender a ser humilde para negociar com os credores;

- Aprender a ganhar mais.

A solução sempre existe! E, na maior parte das vezes, a pessoa sabe qual é. O difícil é ter a coragem de pô-la em prática. Nunca perca a oportunidade de aprender com uma dificuldade. Aprender em geral é destruir uma visão e construir uma nova perspectiva.

E, principalmente, tenha certeza de que o problema será resolvido. Se você tiver alguma dúvida disso, pense: se você morresse agora, qual seria a evolução do problema? Percebeu? Ele de alguma maneira se resolverá.

A única coisa que não funciona é jogar no outro a responsabilidade por suas dificuldades. O ódio bloqueia a criatividade e só piora as coisas. As pessoas que chamamos de inimigos são os melhores mestres que a vida nos oferece para nos ajudar a aprender as lições que nos farão crescer. Elas nos mantêm acordados para podermos evoluir. Perceba que, depois que você resolve uma dificuldade, fica até agradecido por essa pessoa ter lhe ensinado uma lição.

O médium Luiz Antonio Gasparetto certa vez falou:

“Perdoar é descobrir que você não tem razão nenhuma para perdoar; é apenas viver o aprendizado. Isso só acontece quando você aproveita a oportunidade para crescer”.

Se você carrega ódio de alguém, pense na lição que você tem a aprender com esse alguém e sua vida será muito melhor.

Se você tem muitos problemas, pense na lição que você tem a aprender com esses problemas e sua vida será muito melhor.

Aliás, sabe por que você tem tantos problemas? Pela simples razão de estar vivo. Pela simples razão de ter muito ainda por aprender.

Se você está passando por um problema, pode ficar tranqüilo: ele não será o último nem o pior.

“Roberto”, você pode perguntar, “vai me acontecer um problema pior do que este pelo qual estou passando?”

Com toda certeza. Você já notou que o problema que estamos enfrentando no momento é sempre o pior? Quando você olha para trás, certamente vê que já teve problemas muito maiores, mas a angústia do momento presente é sempre a pior.

Viver é enfrentar desafios, pois a função da vida é o aprendizado. Eu tenho um jeito de lidar com as dificuldades que me ajuda muito. Quando estou no meio de uma situação difícil, procuro afastar todas aquelas emoções que poderiam me angustiar e digo a mim mesmo: “Roberto, não faça drama! Isso é somente um exame de uma matéria em que você foi reprovado. Estude, se dedique e passe de ano”.

Os problemas são matérias que temos de aprender. Mantenha a cabeça tranqüila e procure aprender rápido a lição, para poder passar de ano. Se não aprender a lição, a vida sempre trará os mesmos problemas de volta para que você possa evoluir o mais rápido possível.

E não se esqueça: os problemas são sempre do seu tamanho. Como disse o poeta Adoniran Barbosa, “Deus dá o frio conforme o cobertor”. A solução está sempre dentro de você. Analise a situação, peça ajuda a um amigo e concentre sua atenção na solução do problema. Mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, você encontrará a solução. E nesse dia vai descobrir que se tornou um pouquinho melhor como pessoa.

Uma dica fundamental: nunca odeie quem lhe traz o problema. Ele é somente o professor. Resolva a dificuldade e agradeça a essa pessoa pela oportunidade de evoluir.

O mal é como chuva de granizo: faz muito barulho, às vezes machuca, mas passa logo. Já o nosso aprendizado, não. Ele é eterno.

PODEMOS DESENVOLVER , A QUALQUER TEMPO, ATRIBUTOS PESSOAIS IMPORTANTES PARA A CONQUISTA DE OBJETIVOS

por Angelina Garcia
Dedicar-se com afinco à realização de algum propósito nem sempre basta. Alguns aspectos da nossa educação formal ou informal podem ter sido negligenciados e agora estão fazendo falta: seqüência, regularidade, continuidade, qualificação, quantificação, síntese, controle e outros. Todos, aliás, funcionando em interdependência. Não adianta culpar os pais, ou os professores, por não nos terem ensinado, ou nos servido de modelo; provavelmente também lhes fizeram falta. Fatores cognitivos, psíquicos, emocionais, circunstanciais, entre tantos, facilitam ou dificultam o desenvolvimento de tais atributos, mas se sua ausência, ou inconsistência, está prejudicando a consolidação de nossos intentos, seja em que idade for, é preciso correr atrás do prejuízo; cada um prestando mais atenção ao próprio funcionamento.

A seqüência evita que atropelemos etapas ou paremos no meio do caminho, enquanto a regularidade nos permite lidar com o tempo subjetivo e objetivo, além de nos dar a oportunidade de compreender aquilo que se repete, e poder, assim, acumular conhecimento e transformá-lo em sabedoria; ou seja, não só não repetir os erros, como também fazer melhor sempre.

A continuidade diz respeito à fluidez, à conexão entre uma fase e outra do processo; já a qualificação e a quantificação favorecem a possibilidade de agrupamento e consequentemente de síntese, o que imprime mais discernimento e rapidez às nossas ações.

Muitas vezes nos reconhecemos como capazes e não identificamos as razões pelas quais não conseguimos sair do lugar.

Pensar no conceito que temos sobre a palavra “controle” pode nos ajudar nessa questão. Ela vem associada tanto ao que consideramos negativo como positivo de nossas experiências.

O filho se sente controlado quando a mãe pergunta onde e com quem esteve, ou por que demorou mais que o previsto a chegar. Até os menores se dão o direito de se incomodar ao serem questionados sobre seu rendimento escolar. Todos se dizem responsáveis e capazes de cuidar do próprio nariz.

Na intenção da mãe, no entanto, estão presentes: o cuidado, a preocupação, o desejo do melhor para o filho; o que não descarta algum controle sobre a vida do outro. Umas exageram, passam da conta; outras ficam em dívida, a tal ponto de o filho reclamar que a mãe não liga para ele. Todas buscam acertar, mas para esse ponto exato não há receita, às vezes o doce fica duro demais, outras vezes desanda. Então, vai-se experimentando.

Uma outra face do controle pode contribuir muito para a realização de nossos projetos. Nesse caso, não se trata de sentir-se amarrado, tolhido, nem observado o tempo todo pelo outro, mas, sim, por si mesmo. A princípio, dá mesmo trabalho ficar prestando atenção a cada detalhe do próprio fazer; mas com o tempo, o hábito é incorporado e começa a passar despercebido. Nessa altura já estará rendendo bons resultados. Esse pode ser um dos caminhos para se chegar à seqüência, regularidade, continuidade, qualificação, quantificação e síntese, tão almejadas e necessárias ao exercício de nossas capacidades.

Art

DE QUE MANEIRA VOCÊ AVALIA AS CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO DE SEUS SONHOS, DESEJOS E INTENÇÕES?

Como um filósofo clínico aborda tais questões?

Em primeiro lugar, nosso trabalho consiste em identificar o que se passa com a pessoa. Supondo que o partilhante chegue ao consultório com a questão citada acima: “Já comecei cinco faculdades diferentes e não consegui terminar nenhuma delas. Fico pensando: será que a vida é isso mesmo? Escolher qualquer coisa para sobreviver e passar a vida fazendo o que não gosta. Talvez encontrar algum prazer em atividades paralelas, se sobrar tempo para elas? Muita gente vive assim, mas acho que eu não consigo! Queria descobrir qual é o meu talento”, iniciaremos com uma conversa sobre a questão. Em seguida, para contextualizá-la num campo maior da vida da pessoa, solicitaremos sua historicidade, ou seja, a forma como vivenciou os vários acontecimentos de sua história de vida.

Assim como quando encontramos uma questão proposta por um filósofo, isoladamente, separada de seu contexto, corremos o risco de compreendê-la inadequadamente; da mesma maneira, quando o partilhante traz sua questão, se não a contextualizamos no todo de sua historicidade, corremos o risco de interpretá-la equivocadamente.

Em filosofia, um problema tratado isoladamente, sem o cuidadoso estudo de sua gênese, é um problema tratado superficialmente, levianamente. Em filosofia clínica, da mesma maneira, se trabalhássemos a questão do partilhante sem estudar sua historicidade, nossa abordagem seria superficial e leviana, e qualquer encaminhamento derivado disso teria o mesmo valor que a mera opinião de um total desconhecido sobre as questões fundamentais de nossas vidas.

Ocorre que algumas pessoas consideram severamente tais opiniões, sendo capazes de definir suas escolhas através delas. Você já ouviu alguém dizendo que uma pessoa, que viu uma única vez em sua vida, disse-lhe algo que modificou completamente seu caminho? Ou que uma frase, lida num livro, ou citada em uma conversa, transformou sua existência?

Que isto se dê naturalmente em nossas relações, é compreensível; mas que um profissional, imbuído de uma fundamentação para seu trabalho, restrinja-se a meras e levianas opiniões acerca dos rumos da vida alheia, é, minimamente, temeroso e inaceitável.

Assim, enquanto o partilhante relata sua historicidade, o filósofo clínico acompanha atentamente, com um mínimo de interferências, e com uma postura fenomenológica (suspendendo seus juízos sobre a questão), a historicidade do partilhante. Seu objetivo, com esse procedimento inicial, é contextualizar a questão, compreender sua gênese, o que implica numa espécie de “visita” ao universo existencial do partilhante.

Ao mesmo tempo, o filósofo clínico observa os movimentos existentes nesse universo, sua composição, suas relações com o entorno, com os outros, suas maneiras de lidar com os problemas, suas formas de se posicionar no mundo... Enfim, todos os aspectos que se mostrarem relevantes. Além disso, entende o “jogo de linguagem” utilizado, o significado de cada afirmação, de cada termo, dentro do todo do discurso e deste nos diferentes contextos.

Com base nessa leitura, o filósofo clínico pontua algumas questões, levando a pessoa a observar aspectos importantes para seu processo, escolhidos a partir de critérios de relevância observados na historicidade daquela pessoa em especial. Não são esquecidas, obviamente, características dos contextos nos quais a pessoa esteja inserida, a fim de examinar, juntamente com ela, as condições de satisfação de suas crenças, desejos e intenções.

Assim, para compreender os motivos pelos quais o citado jovem iniciou cinco diferentes cursos e não conseguiu concluir nenhum deles, não é possível partir de teorias generalizadas, apontando para respostas universais. Faz-se necessário estudar, no caso dessa pessoa em especial, o que ocorreu. Para responder a questão sobre qual o talento da pessoa, não é preciso, necessariamente, recorrer a testes que apontem, de maneira genérica, a diferentes caminhos. É importante observar, na historicidade da pessoa, que tipo de atividade é compatível com seus modos de ser, pensar, sentir; o que é condizente com suas crenças, sonhos, desejos e intenções; quais as habilidades desenvolvidas, ou que necessitam de desenvolvimento, para o exercício de certas atividades e, principalmente, quais as disposições e possibilidades dessa pessoa em desenvolvê-las.

É preciso também examinar se o contexto do partilhante possui as condições para a realização de tais sonhos, desejos e intenções. Se essas não existirem, quais as possibilidades de intervenções em tais contextos para que elas possam ser construídas. Caso não existam tais possibilidades, haveria outros contextos nos quais ele poderia realizar suas buscas? Ou haveria a possibilidade de transformar suas buscas em algo possível sem seu contexto?

Esse exercício parece fácil de ser realizado. Contudo, exige profundos estudos e reflexões acerca de nossas questões e da organização do universo no qual estamos inseridos. É preciso também, e principalmente, o exercício de suspender nossos juízos, para que possamos pensar, junto com o outro, em possibilidades que talvez fossem inimagináveis a nós.

sábado, 3 de abril de 2010

nascidos 9 de abril

Os que nascem no dia 9 de abril gostam de ser conhecidos como pessoas de ação, mas seriam mais bem definidos como pessoas de reação. Expressam a energia de Marte, o regente de Aries, numa tensao constante que os faz reagir com rapidez e, as vezes, ate violentamente, a qualquer coisa que identifiquem como uma ameaça ou provocação. O resultado é que frequentemente acabam seguindo uma trajetoria reativa que lhes da muito menos escolha do que pensam .Esses arianos sao muito francos e possuem um talento todo especial para encontrar uma forma pratica de trasnformar sonhos e ideais em realidade. Quando aprendem a administrar e a nao desperdiçar energia, podem conseguir muito sucesso em todos os seus empreendimentos. Uma das chaves para sua felicidade é o autoconhecimento. Apenas com o tempo e com a maturidade, eles vao aprender a pensar antes de agir e a descobrir qu, muitas vezes, " quem sabe nao faz a hora, mas espera acontecer "...