A PERFEIÇÃO VEM COM A PRÁTICA

A PERFEIÇÃO VEM COM A PRÁTICA
sylviabulhon@uol.com.br

domingo, 25 de julho de 2010

VOLTO NO SÁBADO?

TALVEZ
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...

Ofereço esta crônica ao meu pai, que me deu a primeira maquina de escrever com letras manuscritas, me comprava livros aos 4 anos que são cobiçados até hoje por "marmanjos" ,que me deixava mexer nos gravadores importados dele, que deixava eu tirar fotos de qualquer maneira,... da minha maneira , em maquinas que crianças não deviam chegar perto,em aniversários, eu era a "Partner " nas mágicas que ele fazia,tirava as bonecas de rifa, de dentro da caixa e olha que era bem embalada..só para deixar eu segurar um pouco...(acreditem se quiser, acabei ganhando a tal boneca ),nos domingos Missa e planetário nos aguardava todas as manhãs e sem contar, a marquise do parque do Ibirapuera, onde me ensinou andar de "BIKE" !(ando até hoje com tudo isso),porque vou andar com você no coração!
Pai, outros " quiaqueres", como dizem os Italianos, não me interessam !
Os melhores perfumes dependem de boas essências !

O que aconteceu? Todos os dias procuravamos te encontrar, existia uma desordem na mente, eu sei, a recompensa que fica, é o amor, é sempre o amor e o amor é o engano da razão e nada compete com o amor.
O céu quis assim . Se era tempo de ir ? Pode ser que sim, pode ser que não.
As vezes, nos libertamos de varias maneiras.
No inverno, as folhas caem...as arvores e a paisagem, ganham um novo visual, nem mais bonito, nem mais feio, diferente, novo.
Na lua nova,estamos zerados,iniciamos, na crescente, somos aprendizes, na cheia, alcançamos o ápice.Quando a lua declina, ela é o" mestre ", já nao é mais nova, tem um componente maravilhoso : a sabedoria de quem já caminhou por todo o ciclo.
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
Fazemos escolhas o tempo todo. Se tivesses que escolher entre ser feliz e ter razao,qual seria sua opção?
Sua escolha foi pela razão? é a melhor opção?
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
Certo, então sua escolha foi a felicidade? É realmente esta a melhor opção?
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
Agora, leonino, voce está zerado de volta, as cortinas levantam e voce aparece, voce volta a ficar no centro do palco, está sendo aplaudido, Deus te pediu um isolamento por aqui, abandonos, medos, incertezas, agora, voce já sabe como é ressurgir como a Fenix, sabe ?
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
Pessoas transformistas, não morrem, transformam.
Transformam dias chatos e melancólicos em alegrias !
Se a Alegria tivesse um registro, estaria no seu nome !
A transformação, entao já está em processo !
voce viu ontem, nao viu?
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO ...
Passamos o tempo todo nos perguntando, o que é a Vida, o Mundo, e o próprio tempo ao qual me refiro no incio da frase, o que é o tempo pra voce e pra nós...
Vivemos aprisionados e nos libertamos a todo instante de varias maneiras, da nossa maneira...
Varios físicos deixaram fórmulas racionais a respeito do tempo e espaço...mas...onde voce está agora? Um deles, dizia, que se acelerassemos, a matéria se decompõe...a matéria ultrapassa barreiras sólidas, outras matérias estagnadas, enfim...
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
Este seu ciclo de 80 anos, contados pelo nosso relógio, é um ciclo parecido ao de Urano,planeta com o qual voce se assemelha bastante por suas caracteristicas mais marcantes, excentricidade, rebeldia, irresponsabilidade, jovialidade, fazer a diferença , ser marcante, humanitário, viver em grupos, dirigir bem..(pegar o carro do pai escondido...)quiaqueres ..etc...porém, Urano levaria 84 anos para completar seu ciclo,VOCE REALMENTE MARCOU DE CHEGAR AI NO SÁBADO? what is rappining ?
OS CHATOS DE PLANTAO ESTAO DIZENDO: " FOI NA SEXTA..."GENTE, eu sei, mas as viagens levam um determinado tempo, eu que estou escrevendo, portanto, eu determino este tempo agora, ok ! bjo. entao, continuando....
PODE SER QUE SIM, PODE SER QUE NÃO...
BOM, DEUS ENSINA QUE NOVAS CAPACIDADES RESSURGEM HOJE ! E AGORA?
Amanhã, amanhã e amanhã....Também a Deus pertence ! E O QUE MAIS ?
Obrigada hoje e sempre....

PS- ( QUANDO CHEGAR AI OU LÁ, SEI LÁ, SEI QUE SERÁ COLOCADO NO COLO PELA MINHA AVÓ,ALIMENTADO PELA TIA ELVIRA E NAO ESQUEÇA DE PROCURAR O TIO ALBERTO )!!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

SEGURA QUE O FILHO É TEU !

ESCREVI ESTE TEXTO EM 12 DE OUTUBRO DE 2009.
SERÁ QUE ALGO MUDARÁ PARA O PROXIMO " DIA DAS CRIANÇAS "
INSPIRADO NA MUSICA DE LENINE : " RELAMPIANO ".

" Ontem, 12 de outubro, morre em Sao Paulo, mais uma criança vítima por atropelamento quanto vendia balas no semáforo da " mais paulista das avenidas". Este fato vem se repetindo com frequencia na grande Sao Paulo. Por esta razão, antropólogos, vem desenvolvendo um " pesquisa de comportamento ".
Buscando entender porque o numero de crianças mortas por atropelamento nas ruas de Sao Paulo, vem crescendo assustadoramente. Estudos estao sendo feitos, voltados a entender a vida e o cotidiano destas crianças, o que fazem nas horas anteriores ...e posteriores...
Logo cedo, já se encontram nas esquinas.Pretendem vender toda sua mercadoria e ajudarem no orçamento familiar ou simplesmente fazerem um unica refeição diaria.
Com a pesquisa ainda em andamento precoce,notamos semelhante comportamento em grande numero de crianças brasileiras, vivendo nestas condições, e em várias regioes, nao somente em Sao Paulo.
O histórico familiar é o seguinte : maes jovens, começam a parir muito cêdo, sem a menor condição física, mental e emocional.
O numero que estas mulheres tem de parceiros ao longo da vida, também é alto e frequente.
Sómente tomando como referencia estes pontos,que se repetem no gráfico de análise, temos: - crianças pequenas sem cuidados, pois a maes necessita sair e trabalhar, ganhar algo e trazer para estas crianças e dar o que comer no final do dia.Estas crianças, na maior parte das vezes, ficam sozinhas em casa, a mais velha cuida da mais nova.Quando começam a crescer, saem cêdo de cassa e voltam tarde da noite - " se viram" como podem .
Neste momento já passaram por elas, uns " tres pais " e portanto já ganharam " tres novos irmãos ".Isto, sem esquecer das doenças sexualmente transmissiveis, que é outro tema dentro da mesma pauta.
Esta criança, morta ontem, no dia das crianças,nasceu em ambiente sub-humano.
Aos sete anos de idade, chega em casa tarde da noite, depois de um dia onde se escondeu o tempo todo dos problemas sociais, prostituição, drogas etc...com fome, pois o dinheiro que tinha para um lanche, compra mercadoria para vender no dia seguinte. Os bebês, já dormem.O padrasto, está bêbado e muitas vezes ainda apanha e ou vê sua mãe apanhar.
Acorda , poucas horas depois, neném, chorando de fome, a mãe , nao tem leite para amamentar, está nervosa, nao sabe se lava as roupas ou sai para trabalhar, nao tem com quem deixar os filhos pequenos que teve com seu ultimo parceiro, que já foi embora, pois tudo isto se tornou problema pra ele, que cansou e foi fazer outro filho com outra mulher mais nova e com quem pode provar sua masculinidade , contando mais algumas barrigas.
Assim, varios " cupins" vao se avolumando à margem de rios e se aproximando cada vez mais da área urbana, vitimas da irresponsabilidade de seus pais.
Vitimas, das cidades maravilhosas com o maior " PIB ", enfim, a "chave foi pega enquanto o gingante dormia ". Mas, com quem está a chave ?
Enquanto se procura, vamos entender que estas crianças saem de casa as 4:00h. da manha, vindas de periferias, vender balas, e outras coisas, após horas dentro de um onibus, sem nada no estomago ou talvez até já tenham apanhado antes de sair de casa, enxotado por sua mãe de uns 20 e poucos anos, com talvez 4 filhos, que está preocupada porque seu atual namorado vai deixá-la porque nao teve uma menina e soube que terá outro menino ou vice - versa...comida casa, zero.Educação, zero. Saude fisica e emocional, zero. Depois de 2 anos nesta rotina, este menino de 7 a 9 anos de idade, atravessa uma avenida de intenso movimento, praticamente " dormindo ", cansado, deprimido, sonhando talvez, em vender mais hoje, para comer algo melhor e levar para os bebes em casa e talvez ainda, sonhar que fosse uma daquelas crianças que ve passando com seus pais, dentro dos carros, sorridentes com seus novos brinquedos, afinal hoje é dia das crianças, e crianças com seus cachorrinhos no colo, um animailzinho cheio de mimos e cuidados...Dia bonito para se morrer este, sonhando com um dia a mais....
Este desabafo vai para todas as crianças adultas deste pais, que nascem adultas e que LENINE, tao bem as interpretou com PAULINHO MOSKA, na música : RELAMPIANO.
e afinal, QUEM VAI SEGURAR ESTA CRIANÇA?

domingo, 18 de julho de 2010

CUIDADO, HOJE É DOMINGO!

Ando descobrindo novos domingos em minha vida!
Domingo é dia de nada. Nada pra cima, nada pra baixo, com nada no meio para estimular o nada que vem depois.Agora, nada mesmo, é quando você tem que se aventurar por ai , num domingo as 6:30h. da manhã, num dia de inverno!
De repente me vejo no meio do nada , dirigindo pelas ruas da cidade. Aquelas grandes e importantes avenidas que estão sempre congestionadas, pessoas atravessando, dentro e fora das faixas, motocicletas por todos os lados,helicópteros para cobrir a reportagem e como num sonho, me vejo ali , eu e o carro, livres.É uma sensação estranha.Você não sabe se está na contra mão,se é necessário afinal dar o sinal costumeiro para mudar de faixa,uma vez que não há riscos para ninguém ou até mesmo alguém te multando , enfim, uma sensação de que houve uma catástrofe química, como já vimos em alguns filmes, onde todos foram " abduzidos " e sómente você ainda está ali !
Ah, mas logo você descobre que não se trata de um sonho. Você está sim ,dirigindo, e existem” coisas” se mexendo ao seu redor !
Quem sairia debaixo de um quentinho cobertor ,num dia do nada, para circular pelas ruas?E, veja,quem já perambulou pela noite, estaria neste momento entrando debaixo dele !
Quando você começa a se acostumar com aquele vácuo absoluto, eis que aparecem os obstáculos. Como nos jogos de videogames, aqueles objetos que surgem do nada na tela, bem na tua frente e você precisa de muita pericia para se sair bem ! Seria um bom horário, para se realizar os exames práticos em auto-escola.Deixa eu falar baixo, era somente o que faltava na lista que disponho, abaixo da seguinte placa , que deveria ser obrigatória, EM CIMA DE UM RELÓGIO MARCANDO 6:30: CUIDADO, HOJE É DOMINGO !
Entrega de flores,(kombi velha ), entrega de cestas para café da manhã,( UNO VELHO), entrega de cadeiras para pequenos eventos,(CAMINHAOZINHO DO VOVÔ).E os novatos? Pegaram a carta na sexta passada. Pessoas que necessitam correr para perder peso, porque descobriram na ultima consulta, sexta passada , que estão com o colesterol alto, diabetes e ou triglicérides...agora, lemos e entendemos os exames, (“procure no google”), alguém que se perdeu na volta da balada, e ainda não conseguiu chegar em casa, está quase chegando, pessoas que beberam a noite para se aquecer do frio e estão acordando, atravessam as ruas, como se fossem do quarto para o banheiro de casa, com o cobertor nas costas e você que desvie, se quiser..., Ah, e tem os ciclistas, sim, porque nos finais de semana, neste horário, as vias que iam , agora virão, as que viriam , fazem a curva e assim por diante, pois os ciclistas precisam ir de lugar nenhum para lugar algum.Imagino que seja realmente um trabalho físico intenso. Acordam cedo, levam a bike nas costas até um certo trecho do percurso, ou no próprio carro,( aquele carro que ele estaciona quase dentro da sala, porque não gosta de andar),mas...,nos finais de semana, tira a bike do carro, e veja bem onde vai deixar este carro! ou então você vai até a ultima estação de trem e entra para uma pista adicional e paralela à marginal Pinheiros, onde pode então pedalar a vontade e depois você retorna ao mundo e bate com uma varinha mágica na bicicleta e ela desaparece , plimm, e você se torna um mortal novamente e continua caminhando, pega o trem e volta pra casa ou pro carro que você optou em deixar num estacionamento ou arriscou abandonando-o em outro local, e não vê a hora de retornar....realmente , é muito legal pedalar com os pés no pedal, a cabeça no carro e com o nariz , o que você poderia fazer com o nariz? você que está ali mesmo sem fazer nada , aproveita para identificar todos os gases tóxicos típicos em cada região de São Paulo, o Paulistano é um exxpert nisso !
Voltando para a minha " falsa felicidade aparente " ao passar por todos os semáforos verdes....eu diria o seguinte : " - que saudade da minha cama "!

Sylvia Bulhon

sábado, 17 de julho de 2010

TRANSMIDIA , A CULTURA DA CONVERGENCIA

" SOMOS ONDE TUDO SE JUNTA "

Ser livre para concordar ou discordar.
Hoje, podemos seguir os desenhos que gostamos ou histórias em quadrinhos, nossos heróis etc....criarmos uma comunidade falarmos sobre eles e recriarmos, atraves da identificação com os personagens, sermos um pouco parte da historia desses autores !
funciona mais ou menos assim:
voce assite uma novela na tv e busca no celular o nome desta novela, vai puxar talvez uma cena ou um resumo do assuto...voce ve um filme e aparece uma " espada ", voce busca na internet e encontra tudo sobre os objetos utilizados no filme e porque...explorar a midia, é um novo jeito de explorar o conteudo.
Nao se trata de ligarmos a tv e assistirmos ao mesmo noticiario em todas as emissoras e sim de lermos uma pesquisa mais aprofundada sobre o mesmo assunto, numa revista por exemplo, e depois no celular vamos ver a noticia " enxuta " concentrada num ponto, o que chamamos de " palavras - chave " e se buscarmos em outros lugares veremos de todos os angulos de maneiras e formas diferentes , em midias diferentes.
VOCE É FÃ?
O QUE VOCÊ QUER SABER ?
SOBRE COMO FOI FEITA DETERMINADA CENA NUM FILME QUE GOSTA, DE UM DIRETOR QUE "SEGUE", ACOMPANHA SEUS TRABALHOS.
A MÁGICA SE FAZ PELA TROCA DE INFORMAÇÕES O TEMPO TODO, SIMULTANEAMENTE, INENTERRUPTAMENTE, E DE FORMAS DIFERENTES, COM CONTEUDOS QUE SE COMPLEMENTAM E VOCÊ PODE INTERAGIR RECRIANDO , FAZENDO SEUS TEXTOS E SE COMUNICANDO, ATRAVES DE COMUNIDADES A FINS.
O PÚBLICO PRODUZ O CONTEUDO.

A cultura da convergencia, tem o poder de participar e dividir com outras pessoas , e nos torna um pouco donos da história, nos faz participativos e ativos.
A SOCIEDADE ESTA SE EXPANDINDO PELA MIDIA E COM A MIDIA .
SE QUISER SABER MAIS É SÓ ACESSAR O ASSUNTO EM TODOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DISPONIVEIS E FAZER SUA PROPRIA CONCLUSAO.
PARA ONDE CAMINHA ESTA NOVA SOCIEDADE? PENSO, QUE ESTAMOS ATRAVESSANDO UM NOVO DIVISOR DE AGUAS...E ISSO SÓ PODE SER BOM, POIS FOMOS NÓS QUE APROVAMOS ESTE NOVO CONCEITO DE VIDA : " 140 caracteres ".

Sylvia Bulhon

terça-feira, 13 de julho de 2010

E C A - CONVITE A UMA NOVA REFLEXÃO SOCIAL

ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

Hoje, 13 de julho o ECA está completando 20 anos.
O Estatuto , já sofreu 11 alterações ao londo deste periodo, regido pelas atualizações na Legislação e satisfazer o momento em que a Sociedade se encontra.
17 mil jovens já passaram por lá e 15 mil destes estavam vinculados a algum tipo de infração.
Necessitamos fazer a décima segunda alteração, e nesta intervenção, levarmos em conta o fator prevenção. Nascem no Brasil,7 crianças a cada minuto.Existe de fato um programa de reeducação familiar ? Diante das problemáticas atuais com relação à renda familiar, onde , a cada dia mais mulheres necessitam trabalhar para sustentar a familia ou colaborar com a renda familiar, e crianças, ficam muitas vezes a cargo de avós, que muitas vezes nao tem mais a energia suficiente para educá-los, num universo bem diverso dos anteriores, onde criaram seus filhos e cresceram. O mundo e o comportamento muda o tempo todo em alta velocidade. Crianças, necessitam receber tratamento adequado. Muitas vezes, este avós, ou mesmo as maes e pais, no intuito de repor o tempo gasto em ausencia, falham e pecam em mimos por excesso. Quais sao os valores e principios apresentados a estas crianças ?
Pertencemos , digo isto, porque somos todos co-responsáveis, a esta educação ou melhor , criação por omissao.
Qual o reflexo desta criação na nossa Sociedade ? Te convido a refletir.
A Sociedade está esgotada pelas infrações de toda ordem causadas por adolescentes problemáticos ou não ? Será que isto é reflexo da base educacional deste adolescente?
De que forma poderiamos investir mais nas nossas Crianças?
Se o sistema de internação é falido, como recuperar de fato nossa Sociedade a partir das Crianças e Adolescente, e fazer de fato esta idéia maravilhosa do ECA , vir a valer ?
Hoje, temos uma concepção generalizada, de que o TER é mais do que o Ser. Como reverter estes valores ? Isto implica nestes fatos relatados pelo sistema carcerário?
A aceitação social, coloca em risco o comportamento desses menores?
E a problemática das drogas, se incere nas questoes anteriores de que forma?
Voce pensa que o Adolescente deve trabalhar , uma vez que tem direito a votos?
Devemos responsabiliza-lo por seus atos?
Pensamos, e sonhomas com um jovem educado e responsável. Como o ECA poderia contribuir, no caso desta crianças só os te-los por contar?
O que fazer para Inverstirmos mais em nossa Sociedade a partir de nossas crianças?
A partir desta data, há muita coisa a ser feita e pensada a respeito, para realizar a décima segunda reforma .

Sylvia Bulhon

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO

"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"
José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.


Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.

– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.

E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando- nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas

– e dizia:

– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.

Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... Até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:

– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.

Casas trancadas.. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!

domingo, 23 de maio de 2010

A MORTE EM NOSSA VIDA

Todo mundo sabe que a única coisa verdadeiramente certa na vida é que vamos morrer. Então por que temos imensa dificuldade em lidar com esse tema tão humano? A morte em nossa vida
por Eugenio Mussak
– Você está com medo? – perguntou a jovem Caroline a sua mãe, que se encontrava no leito de morte.

– Não, estou curiosa – respondeu Daisy Fuller, que então sorriu e, como que para fazer as pazes com a vida, começou a contar à filha um segredo do passado: sua relação com um tal Benjamin Button, homem que nasceu velho e foi rejuvenescendo até morrer como um bebê. O relato era um desabafo e Caroline termina por descobrir que o fantástico homem era seu próprio pai.

A passagem acima foi retirada de um conto do escritor americano F. Scott Fitzgerald, que foi publicado em 1921 e em 2008 virou o filme O Curioso Caso de Benjamin Button, dirigido por David Fincher e interpretado por Brad Pitt e Cate Blanchett. Conta a história de um homem que tem uma trajetória de vida oposta à natureza humana: ao invés de envelhecer, ele rejuvenesce. Quando escreveu o bizarro conto, Fitzgerald estava subvertendo a maior das angústias humanas: a percepção do envelhecimento e a certeza de seu epílogo, a morte.

Se púdessemos escolher, preferiríamos ver nosso corpo melhorar com o tempo, não deteriorar-se ine- Foto: Daniel Aratangy; ilustração: Buia xoravelmente como um prenúncio do fim. Como não temos esse poder, só nos resta a imaginação, com a ajuda da literatura e do cinema.

Mas Benjamin Button não é Connor MacLeod, o Highlander, o imortal guerreiro escocês nascido no século 16. Benjamin vive o tempo de uma vida, e mostra que ainda que tentemos – e até certo ponto consigamos – segurar o tempo, não teremos como vencer a morte. A anciã Daisy conhece essa verdade e lida com ela com a sabedoria de quem viveu intensamente. Por isso não teme, apenas está curiosa.

Este é um tema campeão na literatura universal, empatando, talvez, com o amor. E ambos estão, comumente, ligados, como em um Romeu e Julieta em distintas versões. É possível que amemos tanto a vida porque temamos tanto a morte. Mas devemos então evitar a vida para ter a ilusão de não morrer, como alguém que não quer um cãozinho porque sabe que vai sofrer quando ele morrer? Não, pois o mistério da morte não é maior que o mistério da vida, uma categoria pertence à outra. Perceba que viver pressupõe morrer, e morrer significa ter vivido. São indissociáveis. Estamos diante de um mistério único que, por escapar à nossa compreensão e ao nosso controle, nos angustia e infelicita.

Certo esteve Epicuro ao dizer que não temia a morte pelo simples fato de que jamais a encontraria, pois enquanto ele estivesse vivo a morte não estaria presente, e quando ela aqui estivesse ele não estaria mais. O argumento do filósofo tem uma lógica perfeita. O problema é que nós não encaramos a morte com a lógica e sim com a emoção.

Como seres pensantes que somos, tentamos racionalizar repetindo aquelas verdades que no fim não consolam, como “Para morrer basta estar vivo” ou “Começamos a morrer quando nascemos”. São frases epicuristas, todas encerram uma verdade, só que, quando o assunto é a morte, preferiríamos a mentira, a ilusão da imortalidade, o engano de que só existe vida.

“Eu não quero ser imortal por minha obra. Quero ser imortal não morrendo”, desabafou Woody Allen, em um de seus momentos geniais. Lamento, Woody, mas não será possível. O que nos resta é viver como se não fossemos morrer, pensando e glorificando o milagre da vida, senão morreremos antes de morrer, como explicou Freud em seu O Mal-estar na Civilização, onde coloca a perspectiva da morte como uma das principais causas da infelicidade humana. Morrer antes de morrer significa não viver apesar de estar vivo.

A lógica de Epicuro, a ciência de Freud e o humor de Woody Allen estão todos certos, errados estamos nós que sofremos pelo que não controlamos porque nos acostumamos a pensar que somos deuses, que a razão nos dá o controle, que a vontade é infinita. De repente descobrimos nossas limitações e nos desesperamos. Eu e você morreremos, sim, e isso está certo. O errado é morrer antes de morrer, é não encarar a vida com humor e gratidão, é perder a oportunidade de deixar este mundo melhor com a própria presença.

Expirando em seu leito, o imperador Augusto, por exemplo, pediu um espelho para ajeitar as madeixas e disse aos que o amparavam: “Se vocês gostaram da encenação, aplaudam, para que eu possa sair de cena feliz”. Certo o romano. Morrer é sair de cena, e só nos resta aceitar que a peça terá um fim e que devemos interpretar nosso papel como virtuoses deste teatro fantástico.

O segredo para não sofrer com a morte não seria acreditar que ela é apenas uma fase da vida eterna?
O segredo para mitigar o sofrimento está, sim, em acreditar em algo, pois o que nos mortifica é a dúvida. O homem é feito de razão, emoção e crença, e esta última é construída a partir da matéria que compõe as duas primeiras. Crenças são criadas a partir de valores e desejos, existem para tornar nossa vida melhor e só podem ser questionadas por quem as possui. Epicuro, por exemplo, antecipou a teoria atômica dizendo que tudo é formado por minúsculas partículas em movimento, e acreditava que isso valia para nosso corpo e também para nossa alma. Dizia que o homem e sua alma nada mais são que matéria em movimento, e que quando esse movimento fosse interrompido não restaria mais nada, seria nosso fim. Essa era sua crença, o que lhe deu tranquilidade até para brincar com esse destino.

Já para os budistas, a morte é uma ilusão, pois nada morre de verdade, muito menos a alma, nossa verdadeira essência. O que importa é alcançar o nirvana, o paraíso. Este seria um estado psicológico elevado, amoroso e sem ansiedade, o que só pode ser alcançado com desapego e meditação. Em outras palavras, para alcançar o nirvana do céu e virar eterno, o homem precisa construir seu próprio nirvana na terra, a partir de suas atitudes.

Aparentemente opostos, os pensamentos epicurista e budista têm algo em comum. Ambos creditam à vida como a conhecemos todo o mérito. Para o epicurismo esta é a única vida, portanto merece ser vivida plenamente; para o budismo o nirvana final, espiritual, só será alcançado através do nirvana terrestre, psicológico. Ambas as teorias propõem que se dê valor à vida, procurando fazer o bem e transformando- a em algo que valha a pena.

Já que não podemos fingir que a morte não existe, só nos resta criar a crença mais confortável. A morte é um mistério, mas a vida também é. Só que temos a ilusão de entender a vida porque ela pode ser percebida pelos órgãos dos sentidos. Medimos, pesamos, tocamos a vida. A morte não, ela é metafísica, está além de qualquer interpretação lógica. Sabemos o que é o fim da vida, mas não sabemos o que é a morte.

Como não sabemos, só nos resta acreditar. E crença é imaginação, não certeza, mas seu poder é irrefutável, pois é capaz de usar os pensamentos para acalmar os sentimentos. No fim é isto que importa, pensar e sentir para poder viver. Há apenas dois modos de abordar a morte enquanto existe vida: ignorá-la ou pensá-la. A primeira de nada adianta, enquanto a segunda ao menos traz mais cartas para o jogo da vida, criando novas perspectivas.

A morte também está presente nos fatos do cotidiano, nas separações, nos fins de ciclo. Não deveríamos estar mais acostumados a ela?
No fundo, o que assusta na morte são três fatores: o desconhecido, que é sempre amedrontador; a resistência a abandonar a vida, o que é próprio dos instintos; e, digamos, a passagem, que pode estar carregada de sofrimento. Como diz um amigo meu, com seu humor peculiar: “Acredito que a vida e a morte sejam, ambas, boas. O problema é a transição”.

Estamos, sim, acostumados com a ideia da morte. Nós provavelmente nunca nos acostumaremos é com a presença da morte em nossas vidas. Aceitamos a morte, pois somos racionais, mas reagimos fortemente a ela em duas circunstâncias: quando é prematura ou quando é próxima.

Não gostamos de saber que gente jovem morre, não parece natural. Há um quê de injustiça nos soldados que não voltam da guerra, nos rapazes e moças que se misturam às ferragens de seus carros nas noites de fim de semana, nas crianças com leucemia nos hospitais ou com fome nos países miseráveis. Ninguém deveria morrer sem ter tido a chance de viver bastante, pensamos.

Como também não gostamos da morte por perto, ceifando alguns dos nossos, levando nossos avós, convocando nossos pais. É quando a morte é má de verdade, porque nos priva de nossos entes queridos e porque se faz lembrar, se mostra com força e faz questão de deixar claro que vai voltar, é apenas uma questão de tempo.

Pelo menos a maioria de nós tem motivos para se alegrar por ter vivido. Seja qual for o mistério, a aventura de viver é muito boa, apesar dos percalços, claro. Não é possível não conhecer o sofrimento, pertence à nossa condição de viventes. E entre eles, às vezes camuflada pelo cotidiano, está a morte, espreitando.

A fé, a psicologia, a filosofia, a literatura, o misticismo, todos são pródigos em abordar o tema da morte, mas nunca um desses construtores do pensamento humano teve coragem para negar dois fatos: que todos teremos de lidar com a morte, nossa e de outros – e que nós sofreremos inevitavelmente com isso.

Provavelmente não seria inteligente não morrer, a vida eterna seria muito cansativa. Mas, com certeza, não é inteligente morrer antes de morrer. Por isso, um texto sobre a morte é inócuo, a não ser que seja uma conclamação à vida. Viver de verdade é a única garantia de que, quando chegar a hora, tenhamos mais curiosidade que medo, como aconteceu com Daisy Fuller.

"Pensando bem"Edições Anteriores – Você está com medo? – perguntou a jovem Caroline a sua mãe, que se encontrava no leito de morte.

– Não, estou curiosa – respondeu Daisy Fuller, que então sorriu e, como que para fazer as pazes com a vida, começou a contar à filha um segredo do passado: sua relação com um tal Benjamin Button, homem que nasceu velho e foi rejuvenescendo até morrer como um bebê. O relato era um desabafo e Caroline termina por descobrir que o fantástico homem era seu próprio pai.

A passagem acima foi retirada de um conto do escritor americano F. Scott Fitzgerald, que foi publicado em 1921 e em 2008 virou o filme O Curioso Caso de Benjamin Button, dirigido por David Fincher e interpretado por Brad Pitt e Cate Blanchett. Conta a história de um homem que tem uma trajetória de vida oposta à natureza humana: ao invés de envelhecer, ele rejuvenesce. Quando escreveu o bizarro conto, Fitzgerald estava subvertendo a maior das angústias humanas: a percepção do envelhecimento e a certeza de seu epílogo, a morte.

Se púdessemos escolher, preferiríamos ver nosso corpo melhorar com o tempo, não deteriorar-se ine- Foto: Daniel Aratangy; ilustração: Buia xoravelmente como um prenúncio do fim. Como não temos esse poder, só nos resta a imaginação, com a ajuda da literatura e do cinema.

Mas Benjamin Button não é Connor MacLeod, o Highlander, o imortal guerreiro escocês nascido no século 16. Benjamin vive o tempo de uma vida, e mostra que ainda que tentemos – e até certo ponto consigamos – segurar o tempo, não teremos como vencer a morte. A anciã Daisy conhece essa verdade e lida com ela com a sabedoria de quem viveu intensamente. Por isso não teme, apenas está curiosa.

Este é um tema campeão na literatura universal, empatando, talvez, com o amor. E ambos estão, comumente, ligados, como em um Romeu e Julieta em distintas versões. É possível que amemos tanto a vida porque temamos tanto a morte. Mas devemos então evitar a vida para ter a ilusão de não morrer, como alguém que não quer um cãozinho porque sabe que vai sofrer quando ele morrer? Não, pois o mistério da morte não é maior que o mistério da vida, uma categoria pertence à outra. Perceba que viver pressupõe morrer, e morrer significa ter vivido. São indissociáveis. Estamos diante de um mistério único que, por escapar à nossa compreensão e ao nosso controle, nos angustia e infelicita.

Certo esteve Epicuro ao dizer que não temia a morte pelo simples fato de que jamais a encontraria, pois enquanto ele estivesse vivo a morte não estaria presente, e quando ela aqui estivesse ele não estaria mais. O argumento do filósofo tem uma lógica perfeita. O problema é que nós não encaramos a morte com a lógica e sim com a emoção.

Como seres pensantes que somos, tentamos racionalizar repetindo aquelas verdades que no fim não consolam, como “Para morrer basta estar vivo” ou “Começamos a morrer quando nascemos”. São frases epicuristas, todas encerram uma verdade, só que, quando o assunto é a morte, preferiríamos a mentira, a ilusão da imortalidade, o engano de que só existe vida.

“Eu não quero ser imortal por minha obra. Quero ser imortal não morrendo”, desabafou Woody Allen, em um de seus momentos geniais. Lamento, Woody, mas não será possível. O que nos resta é viver como se não fossemos morrer, pensando e glorificando o milagre da vida, senão morreremos antes de morrer, como explicou Freud em seu O Mal-estar na Civilização, onde coloca a perspectiva da morte como uma das principais causas da infelicidade humana. Morrer antes de morrer significa não viver apesar de estar vivo.

A lógica de Epicuro, a ciência de Freud e o humor de Woody Allen estão todos certos, errados estamos nós que sofremos pelo que não controlamos porque nos acostumamos a pensar que somos deuses, que a razão nos dá o controle, que a vontade é infinita. De repente descobrimos nossas limitações e nos desesperamos. Eu e você morreremos, sim, e isso está certo. O errado é morrer antes de morrer, é não encarar a vida com humor e gratidão, é perder a oportunidade de deixar este mundo melhor com a própria presença.

Expirando em seu leito, o imperador Augusto, por exemplo, pediu um espelho para ajeitar as madeixas e disse aos que o amparavam: “Se vocês gostaram da encenação, aplaudam, para que eu possa sair de cena feliz”. Certo o romano. Morrer é sair de cena, e só nos resta aceitar que a peça terá um fim e que devemos interpretar nosso papel como virtuoses deste teatro fantástico.

O segredo para não sofrer com a morte não seria acreditar que ela é apenas uma fase da vida eterna?
O segredo para mitigar o sofrimento está, sim, em acreditar em algo, pois o que nos mortifica é a dúvida. O homem é feito de razão, emoção e crença, e esta última é construída a partir da matéria que compõe as duas primeiras. Crenças são criadas a partir de valores e desejos, existem para tornar nossa vida melhor e só podem ser questionadas por quem as possui. Epicuro, por exemplo, antecipou a teoria atômica dizendo que tudo é formado por minúsculas partículas em movimento, e acreditava que isso valia para nosso corpo e também para nossa alma. Dizia que o homem e sua alma nada mais são que matéria em movimento, e que quando esse movimento fosse interrompido não restaria mais nada, seria nosso fim. Essa era sua crença, o que lhe deu tranquilidade até para brincar com esse destino.

Já para os budistas, a morte é uma ilusão, pois nada morre de verdade, muito menos a alma, nossa verdadeira essência. O que importa é alcançar o nirvana, o paraíso. Este seria um estado psicológico elevado, amoroso e sem ansiedade, o que só pode ser alcançado com desapego e meditação. Em outras palavras, para alcançar o nirvana do céu e virar eterno, o homem precisa construir seu próprio nirvana na terra, a partir de suas atitudes.

Aparentemente opostos, os pensamentos epicurista e budista têm algo em comum. Ambos creditam à vida como a conhecemos todo o mérito. Para o epicurismo esta é a única vida, portanto merece ser vivida plenamente; para o budismo o nirvana final, espiritual, só será alcançado através do nirvana terrestre, psicológico. Ambas as teorias propõem que se dê valor à vida, procurando fazer o bem e transformando- a em algo que valha a pena.

Já que não podemos fingir que a morte não existe, só nos resta criar a crença mais confortável. A morte é um mistério, mas a vida também é. Só que temos a ilusão de entender a vida porque ela pode ser percebida pelos órgãos dos sentidos. Medimos, pesamos, tocamos a vida. A morte não, ela é metafísica, está além de qualquer interpretação lógica. Sabemos o que é o fim da vida, mas não sabemos o que é a morte.

Como não sabemos, só nos resta acreditar. E crença é imaginação, não certeza, mas seu poder é irrefutável, pois é capaz de usar os pensamentos para acalmar os sentimentos. No fim é isto que importa, pensar e sentir para poder viver. Há apenas dois modos de abordar a morte enquanto existe vida: ignorá-la ou pensá-la. A primeira de nada adianta, enquanto a segunda ao menos traz mais cartas para o jogo da vida, criando novas perspectivas.

A morte também está presente nos fatos do cotidiano, nas separações, nos fins de ciclo. Não deveríamos estar mais acostumados a ela?
No fundo, o que assusta na morte são três fatores: o desconhecido, que é sempre amedrontador; a resistência a abandonar a vida, o que é próprio dos instintos; e, digamos, a passagem, que pode estar carregada de sofrimento. Como diz um amigo meu, com seu humor peculiar: “Acredito que a vida e a morte sejam, ambas, boas. O problema é a transição”.

Estamos, sim, acostumados com a ideia da morte. Nós provavelmente nunca nos acostumaremos é com a presença da morte em nossas vidas. Aceitamos a morte, pois somos racionais, mas reagimos fortemente a ela em duas circunstâncias: quando é prematura ou quando é próxima.

Não gostamos de saber que gente jovem morre, não parece natural. Há um quê de injustiça nos soldados que não voltam da guerra, nos rapazes e moças que se misturam às ferragens de seus carros nas noites de fim de semana, nas crianças com leucemia nos hospitais ou com fome nos países miseráveis. Ninguém deveria morrer sem ter tido a chance de viver bastante, pensamos.

Como também não gostamos da morte por perto, ceifando alguns dos nossos, levando nossos avós, convocando nossos pais. É quando a morte é má de verdade, porque nos priva de nossos entes queridos e porque se faz lembrar, se mostra com força e faz questão de deixar claro que vai voltar, é apenas uma questão de tempo.

Pelo menos a maioria de nós tem motivos para se alegrar por ter vivido. Seja qual for o mistério, a aventura de viver é muito boa, apesar dos percalços, claro. Não é possível não conhecer o sofrimento, pertence à nossa condição de viventes. E entre eles, às vezes camuflada pelo cotidiano, está a morte, espreitando.

A fé, a psicologia, a filosofia, a literatura, o misticismo, todos são pródigos em abordar o tema da morte, mas nunca um desses construtores do pensamento humano teve coragem para negar dois fatos: que todos teremos de lidar com a morte, nossa e de outros – e que nós sofreremos inevitavelmente com isso.

Provavelmente não seria inteligente não morrer, a vida eterna seria muito cansativa. Mas, com certeza, não é inteligente morrer antes de morrer. Por isso, um texto sobre a morte é inócuo, a não ser que seja uma conclamação à vida. Viver de verdade é a única garantia de que, quando chegar a hora, tenhamos mais curiosidade que medo, como aconteceu com Daisy Fuller.

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